Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Estranho país...

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 24.06.08

Lá voltaram os rapazes do Euro mais cedo do que o previsto e a recepção não foi nada comparável ao entusiasmo da ida! Estranho país... Afinal, a maior decepção é certamente deles. Aqui, ou tudo ou nada.

 

O PSD no Congresso a rejeitar a ideia do centrão. Bem, veremos. Ainda não fiquei totalmente convencida. Se bem que não é só o país que perde com essa solução pós-eleitoral. Os próprios perderão muito mais expressão eleitoral daí para a frente. Os votos fugir-lhes-ão para o CDS/PP e para o PCP e BE.

Gostei do discurso de encerramento de Manuela Ferreira Leite. Ali já estão inscritas linhas claras de um novo rumo, definição de prioridades, adaptação necessária às circunstâncias económicas e sociais.

 

Muito se teria evitado se no orçamento 2008 o PS tivesse previsto o inevitável: empobrecimento social e desaceleração da economia. Como Bagão Félix referiu na altura, era um orçamento "manhoso" com quase tudo fora dele. Apelidou-o mesmo de "eucalipto".

Agora culpar a crise económica mundial e a subida dos combustíveis já não pega. Avançar com medidas eleitoralistas de última hora, também não.

 

Finalmente, apesar de ter prometido a mim própria alienar-me noutras áreas mais gratificantes como o Euro (viram aquele jogo simplesmente mágico da Turquia-Croácia?, e os nuestros hermanos a vencer a Itália passados tantos anos?), referir apenas este insólito pormenor: o ministro dos "e tal milhões de euros" e da expressão "jamais" está com pressa de colonizar o deserto!?

 

Antes o Euro, uf... depois logo se vê.

 

publicado às 17:23

Quando pensamos que já não há surpresas negativas, que o stock das surpresas negativas se esgotou, eis mais uma e uma e uma, como se a fonte de surpresas negativas fosse inesgotável! Já nem sei se o pior são os anúncios de anúncios ou a apresentação do facto consumado, como o traçado do TGV Lisboa-Madrid, por exemplo, ou o que se segue.

Este é na Educação: a provável fusão do 1º com o 2º ciclo que o actual governo está a preparar, de forma subreptícia e escudando-se em estudos científicos. Colocar um único professor no 2º ciclo? Para as diversas disciplinas? Para poupar mais no orçamento?

Santana Castilho coloca a questão de forma clara na sua crónica com o sugestivo título, “O ciclo único, a pedagogia única e o poder único” (Público, dia 28 de Maio): “A verdadeira consequência, a importante, em minha opinião, reside num novo decréscimo do conhecimento que tal sistema originará para as crianças. Um só professor a leccionar Português, Matemática, História, Geografia, Ciências da Natureza e o que mais se verá? O peso da especulação pedagógica em detrimento das tradicionais áreas do conhecimento tem conduzido as crianças portuguesas por tristes veredas de infantilização. O proposto será uma boa achega para a promoção desse pernicioso percurso e para mais uma drástica redução do número de professores em actividade, com a natural e consequente redução significativa dos custos da provisão do ensino básico a que o Estado está obrigado.”

Esta proposta terá surgido de um estudo de “académicos ilustres” que o apresentaram “ao CNE (Conselho Nacional de Educação)” e abrange a “educação das crianças dos 0 aos 12 anos”. Santana Castilho apenas considerou nesta sua reflexão “a proposta mais polémica que dele emana, a eventual fusão dos 1º e 2º ciclos do ensino básico … .”

E quais são os argumentos utilizados para tal proposta? “No relatório refere-se ‘um contraste violento e repentino entre o regime de monodocência do 1º ciclo e o regime de pluridocência do 2º’ e sugere-se que a fusão dos dois obstaria a ‘transições bruscas’, inconvenientes para as crianças. Coerentemente, propõe-se um professor único para os dois ciclos, ainda que eventualmente coadjuvado por outros (dois ou três professores na mesma sala, ao mesmo tempo, a dar matérias diferentes, numa animada e pós-moderna balbúrdia pedagógica?)”

Agora vejam até onde vai o cinismo destes gestores da Educação sediados na 5 de Outubro! “… como é público e conhecido, … um professor generalista, concebido para leccionar até ao 6º ano da escolaridade básica, já está a ser formado, infelizmente, na sequência do Decreto-lei nº 43/2007, de 2 de Fevereiro. Termos em que este estudo veio mesmo a calhar: valida pela voz de autorizados académicos conceituados a temeridade do Governo.”

É ou não fantástica a capacidade que este governo revela de encomendar relatórios, ein?

Santana Castilho aproveita para desmontar, nesta sua reflexão, mais este equívoco da “natureza brusca da passagem do 1º para o 2º ciclo” e dos “implícitos inconvenientes que daí resultam”, referindo “o que as estatísticas mostram: o insucesso escolar é bem mais significativo na transição do 2º para o 3º ciclo.”

E contrapõe de forma incisiva: “Numa sociedade em que o paradigma imposto, quase por condição de sobrevivência, é o de estarmos preparados para nos adaptarmos e mudarmos constantemente, receamos que, aos 9/10 anos de idade, a passagem do regime de classe para o regime de disciplinas autónomas traumatize as crianças?”

E continua: “E a deslocação bruta, forçada, de crianças de 6 anos do seu ambiente habitual para escolas distantes e grandes, por jornadas de autêntico ‘trabalho’ infantil que superam em duração o legalmente permitido ao trabalhadores adultos, com dezenas de quilómetros andados para lá e para cá, deixará incólumes corpos e espíritos das indefesas criaturas?”

E lembra ainda que “a alegada monodocência do 1º ciclo é, aliás, falsa, dado que na maioria das escolas as crianças já têm vários professores, para além do nuclear (educação física, expressões e inglês).”

Ora se é mesmo verdade que “o ministério da Educação já lançou, em conformidade, a já referida formação de professores para os dois ciclos, em regime de monodocência”, é de facto incrível “o cinismo com que o ministério reagiu à proposta, dizendo que é prematura a fusão do 1º com o 2º ciclo do ensino básico…”

 

Sim, é de facto incrível: “… sob o manto diáfano desta mal disfarçada inocência está o ardiloso avanço, com a necessária preparação da opinião pública, de mais uma investida para poupar cobres, em pura lógica imediatista. Que se lixem as crianças e a lei de bases que claramente proíbe a fusão! A maioria absoluta, o desastre de Bolonha e, agora, o CNE são música celestial para os ouvidos dos absolutistas que se sentam na 5 de Outubro.”

 

publicado às 12:52


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D